“Atualmente só tem uma coisa certa no mercado: a mudança”

Publicada em 25/07/2018 - 16:19


Com perspectivas positivas a partir de investimentos previstos para os próximos anos, o setor metalmecânico capixaba já está se preparando para atender as demandas das grandes empresas. É o que afirma o presidente do Centro Capixaba de Desenvolvimento Metalmecânico (Cdmec), Durval Vieira de Freitas, que acredita que a mudança é a única coisa certa no mercado atualmente. “Os negócios estão melhorando, mas as empresas estão se conscientizando que a saída está na criatividade e tecnologia, fazendo diferente com soluções inovadoras”, pontua.

De acordo com o presidente, os investimentos em capital expenditure (Capex) previstos para o estado até 2022 são superiores a R$ 50 bilhões. Ele ressalta, ainda, valores previstos pela Petrobras e pela Shell, em medidas como exploração offshore e expansão de Portocel, do Porto de Imetame e do Porto Central.

1- Como o senhor avalia o atual momento do setor metalmecânico capixaba?

O setor metalmecânico capixaba está se adaptando às mudanças que estão ocorrendo no mundo na indústria de transformação. As empresas estão investindo em novas tecnologias, equipamentos, automatização dos processos e pessoas. As parcerias com detentores de tecnologia de outros países e a aproximação com a academia estão trazendo bons resultados. Importante destacar os trabalhos desenvolvidos com as empresas AcelorMittal Tubarão, Vale e Petrobras, que têm apresentado desafios tecnológicos às empresas fornecedoras na busca de soluções inovadoras que aumentem sua produtividade, saindo do ambiente tradicional comprador-vendedor, com bons resultados.

2- Existem investimentos previstos para o setor? Como estão os negócios?

Os investimentos em CAPEX, previstos para o estado até 2022, são superiores a R$ 50 bilhões. Estes estão concentrados nos setores de petróleo e gás, naval e portuário, nos demais setores os investimentos concentram-se em melhorias operacionais. Destacam-se os valores previstos pela Petrobras (R$ 10 bilhões nos próximos cinco anos) e pela Shell (com o aumento da exploração offshore no Parque das Conchas, a obra do navio FPSO P-71, contratado pela Petrobras junto ao Estaleiro Jurong, a expansão da Portocel e o Porto da Imetame, ambos em Aracruz, além do Porto Central, em Presidente Kennedy).

Estão previstos, ainda, diversos investimentos de menor valor na cadeia de abastecimento das grandes empresas, que compram, por ano, para suas operações normais (OPEX) mais de R$ 1 bilhão. Observam-se, também, investimentos nos setores de comércio de distribuição e nas indústrias de produção final. Há expectativa do retorno da operação da Samarco, em Anchieta, no segundo semestre, que poderá trazer um impacto positivo para os fornecedores.

As empresas do setor metalmecânico capixaba fazem fornecimentos de bens e prestam serviços industriais para diferentes estados brasileiros. As que investiram em conhecimento e tecnologia têm conseguindo manter um nível de trabalho razoável, mas, de um modo geral, os negócios diminuíram e afetaram o setor.

3- Nos últimos meses tivemos uma recuperação, ainda um pouco lenta, da economia do país e do Espírito Santo após uma forte recessão. Como a retração dos negócios das grandes empresas foi sentida pelas pequenas empresas e fornecedores? Há expectativa de recuperação já para este ano?

O faturamento do setor é superior a R$ 8 bilhões por ano, sendo que mais de 50% decorrentes de fornecimentos para outros estados e países. Como os projetos de investimentos que participavam estavam em andamento e  levam entre 24 e 36 meses para implantação, os reflexos para algumas empresas demoraram a ser sentidos. As empresas que fazem fornecimentos para operação sentiram com maior profundidade por conta da paralisação da Samarco. De um modo geral, a crise levou as empresas a se reinventarem, procurando melhorar seu portfólio de produtos e serviços e também buscando novas fórmulas de trabalhar com soluções criativas e diferenciadas para os clientes, melhorando a produtividade e reduzindo custos e prazos.

Atualmente só tem uma coisa certa no mercado: a mudança. Os negócios estão melhorando, mas as empresas estão se conscientizando que a saída está na criatividade e tecnologia, fazendo diferente com soluções inovadoras. A AMT - ArcelorMittal Tubarão, Vale e Petrobras tem contribuído para encontrar esse novo caminho, apresentando gargalos e desafios e pedindo aos fornecedores soluções que tragam aumento de competividade. É uma mudança de atitude e relacionamento que não pode parar, esse é o futuro onde todos ganham: fornecedor e cliente.

4- Quais são as principais ações do Cdmec para potencializar o desenvolvimento capixaba?  

O CDMEC está trabalhando forte nas atividades de inovação, buscando parcerias com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Espirito Santo (Fapes), TecVitória, Sedes, Sebrae, Ufes, UCL, UVV, Faesa, Ifes, Polo Ifes Embrapii, Secti e, principalmente, com o Senai. Os workshops sobre desafios tecnológicos com a AMT e Vale têm proporcionado oportunidades diferenciadas às empresas associadas e, ao mesmo tempo, têm permitido o conhecimento de outras empresas que atuavam isoladamente e passam a integrar a entidade, somando esforços.

Temos levado conhecimentos tecnológicos às empresas através de palestras e cursos específicos. Criamos o Programa de Inovação CDMEC (PIC), que, além de treinamento, conta com assistência operacional com visitas e orientações aos participantes.

Estamos tentando participar dos editais de inovação, que ficaram escassos nos últimos anos, ainda sem sucesso. Entendemos que é um processo de aprendizado, precisamos insistir, o futuro é promissor. O estado e o Brasil precisam de empresas inovadoras, esse é o caminho para melhoria da competitividade e o CDMEC tem conseguido transmitir esse entendimento aos associados.

5- Qual é a importância da MEC SHOW para o setor metalmecânico e metalúrgico do Espírito Santo?

A MEC SHOW, realizada há 11 anos, representa o cartão de visita do setor metalmecânico capixaba. É o local onde as empresas podem apresentar aos clientes suas competências, ao mesmo tempo em que adquirem conhecimentos através dos eventos técnicos que são realizados paralelamente. A presença de investidores e detentores locais e de outros estados e países tem permitido ampliar o networking e proporcionado aberturas e ampliação do mercado. Destaca-se a oportunidade dada para apresentação de novas tecnologias desenvolvidas no estado.

A MEC SHOW é importante para o setor metalmecânico e para o estado do Espirito Santo. Somos 0,5% da área territorial, 1,9% da população e 2,2% do PIB brasileiro, precisamos de educação e tecnologia para sermos competitivos e conquistar mercados, garantindo negócios de valor agregado com melhoria de qualidade de vida para a sociedade.